Erros que fazem um release morrer antes de virar notícia

Todo assessor de imprensa já viveu a seguinte situação. Desenvolveu uma pauta aparentemente relevante, obteve a aprovação do cliente, fez follow-up, disparou o material para a imprensa e, ainda assim, o silêncio tomou conta da caixa de entrada. Nenhuma resposta, nenhuma solicitação de entrevista e resultado zero.

Na maioria das vezes, esse silêncio não acontece porque o tema é irrelevante. O problema pode estar em vícios de construção que se repetem e tornam o release pouco atrativo para quem está do outro lado – onde estão jornalistas pressionados por prazos, fechamentos e excessos de informação.

É importante lembrar que, entre uma demanda e outra, o profissional da redação aproveita pequenos intervalos para checar e-mails e fazer uma triagem rápida. Em poucos segundos ele decide o que merece atenção e o que será descartado. E justamente nesse curto espaço, alguns hábitos podem comprometer completamente o potencial de uma pauta.

O desenvolvimento de um release exige atenção aos detalhes, clareza e objetividade. Um dos erros mais recorrentes é transformá-lo em uma peça publicitária – textos carregados de autoelogios, frases grandiosas, adjetivos e promessas vazias.

Um bom texto precisa ser assertivo, despertar interesse e, acima de tudo, entregar valor jornalístico. Antes mesmo de identificar a empresa ou a marca envolvida, as redações costumam avaliar a relevância da mensagem e o potencial daquela pauta. Nesse processo, o título assume um papel decisivo: é o primeiro contato com o conteúdo e, muitas vezes, define se o material seguirá para leitura ou será rapidamente descartado.

Chamadas genéricas que tentam dizer tudo acabam não dizendo nada. Talvez esse seja um dos maiores vilões. Um título precisa ser funcional, contextualizar o assunto e despertar curiosidade. Complementá-lo com uma linha fina curta e objetiva ajuda a reforçar a proposta editorial.

Falta notícia no release

Exagerar nas informações pode ser um tiro no pé. E arrisco dizer que esse talvez seja um dos desafios mais frequentes na rotina de assessores de imprensa.

No release, excesso de informação não significa mais relevância. Pelo contrário, pode transformar a leitura em algo cansativo e disperso. O ideal é selecionar o que realmente importa, priorizar dados relevantes e evitar parágrafos extensos que dificultem a absorção do conteúdo.

Também faz parte do papel do profissional de comunicação educar o cliente e ajudá-lo a compreender que nem toda iniciativa corporativa se transforma automaticamente em notícia. Existe uma insistência recorrente em divulgar ações internas, pequenos movimentos ou acontecimentos que fazem sentido apenas dentro da empresa.

Outro vício bastante comum é construir pautas exclusivamente a partir da visão interna da companhia. Quanto mais o release antecipar questionamentos, contextualizar impactos e apresentar informações úteis, maiores serão as chances de conquistar relevância editorial.

No fim, um bom texto não é aquele que fala mais sobre a empresa. É aquele que encontra uma história capaz de merecer espaço na agenda jornalística. Além disso, estrutura também importa. Um comunicado bem construído com título forte, linha fina objetiva e desenvolvimento consistente, sustentado por dados relevantes se torna mais competitivo.

Um fator indispensável é adaptar a linguagem e abordagem ao perfil dos veículos que se pretende atingir, sejam eles B2B ou B2C. A mesma pauta dificilmente terá a mesma leitura para públicos diferentes.

E existe algo que continua sendo básico, mas ainda compromete muitos materiais: erros gramaticais e falhas de ortografia. A qualidade do texto interfere diretamente na credibilidade do conteúdo, no trabalho do assessor e na percepção da marca representada.

No fim das contas, forma e conteúdo caminham juntos. E qualidade continua sendo um diferencial.


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